Abertura oficial em Curitiba reuniu acadêmicos, dirigentes médicos e representantes internacionais e reforçou a expansão de um projeto que nasceu no Pará, passou pela Paraíba e deverá chegar ao Acre em 2027
A abertura oficial do III Congresso Acadêmico Sindical e da II Jornada Científica da Federação Médica Brasileira (FMB), em Curitiba (PR), marcou mais um capítulo de um movimento que vem aproximando estudantes das entidades médicas e ampliando o debate sobre formação, trabalho, ciência e futuro profissional.
Acadêmicos das cinco regiões brasileiras participaram do encontro, ao lado de dirigentes sindicais e representantes da Argentina e de Portugal. A abrangência nacional reforça uma das características da FMB: ser a única federação médica com presença em todas as regiões do Brasil.
A trajetória começou em Belém, em 2024, quando o primeiro Congresso assumiu o compromisso de estimular a criação de Núcleos Acadêmicos nos sindicatos. Em 2025, o movimento chegou a João Pessoa, ganhou novas lideranças e ampliou sua dimensão. Agora, em Curitiba, consolida-se como um projeto nacional. A expectativa é de que a próxima edição atravesse novamente o país e seja realizada no Acre, em 2027.
Um encontro de gerações
A cerimônia de abertura reuniu o presidente da FMB, Dr. Fernando Luiz de Mendonça; o presidente do SIMEPAR, Dr. Marlus Volney de Moraes; a representante da Unimed Curitiba, Dra. Katia Gouveia Ribas; a representante da Asociación Sindical de Profesionales de la Salud Provincia de Buenos Aires, Dra. Julieta Sala; e a presidente do Sindicato dos Médicos do Norte e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), de Portugal, Dra. Joana Savva Bordalo e Sá.
Marlus destacou que a defesa das condições de trabalho está diretamente relacionada à possibilidade de oferecer uma Medicina segura, humanizada e de qualidade. Ao abordar a precarização das relações profissionais, ressaltou que saúde não pode ser reduzida a volume, produtividade ou a uma simples relação comercial.
A participação internacional também evidenciou que muitos dos desafios enfrentados pelos médicos ultrapassam fronteiras. Julieta Sala ressaltou a importância de estudantes participarem desde cedo das reflexões sobre sua própria prática e sobre os problemas da formação. Joana Bordalo e Sá apontou que Brasil, Argentina e Portugal convivem, apesar de suas diferenças, com questões semelhantes relacionadas à formação, condições de trabalho e valorização médica.
“Estamos aqui para plantar sementes”
Ao falar aos acadêmicos, Fernando Luiz de Mendonça sintetizou um dos principais objetivos do projeto: preparar quem dará continuidade às entidades e às lutas da categoria.
Para o presidente da FMB, o Congresso representa o plantio de uma semente para que os estudantes de hoje possam assumir, no futuro, espaços de liderança e trabalhar por uma Medicina melhor não apenas para os profissionais, mas para toda a sociedade.
Essa renovação já começa a acontecer dentro do próprio evento. Acadêmicos passaram a assumir responsabilidades na organização, produção e condução das atividades, vivenciando na prática experiências que anteriormente ficavam concentradas nas mãos dos dirigentes.
Um movimento que atravessa o Brasil
O protagonismo estudantil ficou ainda mais evidente com as manifestações de representantes dos Núcleos Acadêmicos.
Maria Eduarda Italiano, da Paraíba, lembrou a evolução de um projeto iniciado no Pará e que, após passar por João Pessoa, continua crescendo com a participação de estudantes de diferentes estados.
Representando o Acre, Cecília Pires comemorou a perspectiva de receber a quarta edição do Congresso em 2027 e destacou como problemas vivenciados por estudantes de diferentes regiões acabam se encontrando, criando identificação e fortalecendo a troca de experiências.
Maria Luiza Gomes, de Santa Catarina, chamou atenção para a importância do encontro entre gerações. Para ela, a Medicina é um permanente “passar de bastão”, no qual os estudantes precisam estar dispostos a aprender com aqueles que construíram a história da profissão e de suas entidades.
Já Sarah Farias Câmara, do Pará, destacou que fortalecer a base é essencial para garantir a continuidade do movimento sindical. A experiência nos Núcleos permite que os futuros médicos conheçam desde a graduação não apenas a profissão que escolheram, mas também seus direitos, responsabilidades e possibilidades de participação coletiva.
Formação que ultrapassa a sala de aula
O Congresso reforça, assim, uma concepção mais ampla de formação médica. Além de ciência, residência e conhecimento técnico, os acadêmicos são convidados a compreender ética, mercado de trabalho, relações profissionais, direitos, deveres, representação e participação sindical.
Ao reunir diferentes gerações e regiões do país, o projeto cria pontes entre quem construiu o movimento médico e aqueles que poderão conduzi-lo nas próximas décadas.
A mensagem da abertura resumiu essa trajetória: “Do Pará à Paraíba. Da Paraíba ao Paraná. E, quem sabe, do Paraná ao Acre. A história está em movimento. E todos nós fazemos parte dela.”
A realização em Curitiba contou com o apoio fundamental do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR) e teve participação direta da Dra. Cláudia Paola Carrasco Aguilar na organização do encontro, além do envolvimento dos Núcleos Acadêmicos, com destaque para Pará e Paraíba.
A II Jornada Científica integra a programação do III Congresso Acadêmico Sindical da Federação Médica Brasileira, realizado nos dias 14 e 15 de agosto de 2026, em Curitiba, no Paraná. O evento é organizado em parceria com o SINDMEPA.
