A formação médica prepara profissionais para reconhecer sinais de alerta, acolher o sofrimento e cuidar da vida. Mas quem está se preparando para cuidar também precisa ser cuidado.
Os dados apresentados pela Dra. Cláudia Paola Carrasco Aguilar, durante o III Congresso Acadêmico Sindical da Federação Médica Brasileira (FMB), reforçam a dimensão desse desafio: a prevalência estimada de depressão entre estudantes de Medicina no Brasil chega a 30,6%; quase 50% relatam estresse e má qualidade do sono; e a prevalência global estimada de ideação suicida é de 11,1%.
O sofrimento pode começar ainda no ciclo básico e assumir novas formas. No internato tem a pressão pelo resultado no Enamed e para entrar na residência. São poucas vagas e a disputa é mais acirrada que no vestibular.
Ansiedade, síndrome do impostor, medo de errar, sobrecarga, burnout, automedicação e a pressão constante por desempenho não podem ser tratados como parte natural da formação.
Como alerta a Dra. Cláudia: “Estamos todos na mesma tempestade, mas não no mesmo barco.” Cada estudante chega à Medicina com uma história, uma realidade e diferentes vulnerabilidades.
Neste Setembro Amarelo, a FMB chama atenção para uma mudança que precisa ser coletiva: precisamos romper com a cultura de que médico deve suportar tudo, de que dormir pouco é sinal de comprometimento e de que pedir ajuda demonstra fraqueza.
Sofrimento não pode ser método de formação.
Faculdades, professores, estudantes, serviços de saúde, sindicatos e entidades médicas precisam construir redes de proteção capazes de identificar o sofrimento antes que ele se transforme em crise.
Porque a prevenção ao suicídio não começa apenas diante de uma emergência. Cuidar da saúde mental de quem escolheu cuidar de vidas precisa começar na formação.
Setembro Amarelo. Prevenção ao suicídio é compromisso com a vida.
