A formação médica e os desafios da certificação profissional estiveram entre os principais temas debatidos na Assembleia Extraordinária da CONFEMEL, realizada em Quito, no Equador. Representantes de entidades médicas da América Latina e do Caribe aprovaram recomendações voltadas ao fortalecimento da educação médica, da recertificação profissional e da segurança assistencial.
Entre as principais preocupações está a proliferação de escolas médicas sem critérios acadêmicos rigorosos, orientadas por interesses mercantilistas. Segundo o documento aprovado, esse cenário representa risco direto à qualidade da assistência prestada à população. Por isso, a CONFEMEL defende que a abertura e o funcionamento de cursos de medicina sejam submetidos a avaliações técnicas rigorosas, com participação ativa das entidades médicas e acompanhamento dos resultados dos profissionais formados.
O debate também destacou que a formação médica deve estar alinhada às necessidades reais dos sistemas de saúde, com ênfase na atenção primária e na capacitação prática dos futuros médicos.
Outro consenso foi a defesa da certificação e da recertificação profissional como instrumentos fundamentais para garantir qualidade assistencial e proteção da população. As entidades ressaltaram que esses processos não devem ser vistos apenas como exigências burocráticas, mas como mecanismos de responsabilidade social da profissão médica.
A Assembleia recomendou ainda a modernização dos modelos de recertificação, com adoção gradual de sistemas baseados em competências práticas, simulação clínica e avaliações objetivas. Também foi defendida a ampliação do acesso à educação médica continuada, especialmente em regiões rurais e periféricas, por meio de programas digitais de atualização profissional.
Sobre a mobilidade internacional, os participantes apoiaram processos de revalidação de diplomas mais transparentes, ágeis e fundamentados na avaliação real de competências, além do fortalecimento da cooperação regional para reconhecimento profissional.
Como encaminhamento, foi proposta a criação de uma Comissão Técnica Permanente de Educação, Certificação e Recertificação da CONFEMEL, responsável por contribuir para a construção de padrões mínimos comuns para a formação médica na América Latina. As deliberações reforçam o compromisso das entidades médicas com a qualidade da formação, a segurança dos pacientes e a valorização dos critérios técnicos e éticos na medicina.
