A participação da Federação Médica Brasileira na Assembleia da CONFEMEL ganhou destaque internacional com a palestra do diretor de Relações Internacionais da entidade, Waldir Cardoso, durante a mesa sobre medicamentos essenciais e políticas públicas de saúde.
O espaço conquistado pela Federação Médica Brasileira na CONFEMEL reforça o protagonismo da entidade no sindicalismo médico brasileiro e sua crescente inserção nos debates internacionais sobre os desafios da medicina contemporânea. Em meio a representantes de diversos países da América Latina e Europa, a FMB levou à discussão a experiência brasileira na organização do acesso a medicamentos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando o reconhecimento internacional da entidade e fortalecendo sua atuação como voz ativa da medicina brasileira nos grandes debates sobre saúde pública, valorização profissional e construção de políticas médicas sustentáveis.
Durante a apresentação, Waldir Cardoso abordou o papel estratégico das listas de medicamentos essenciais como instrumento fundamental para garantir acesso à saúde em sistemas universais. O debate começou com a contextualização da atuação da Organização Mundial da Saúde, que desde 1977 mantém uma Lista Modelo de Medicamentos Essenciais, utilizada como referência internacional para orientar políticas públicas baseadas em evidência científica, custo-efetividade, equidade e impacto em saúde pública.
A palestra destacou que uma lista de medicamentos essenciais vai muito além de um simples catálogo. Trata-se de uma ferramenta de priorização construída a partir de critérios técnicos, científicos e sociais, considerando doenças prioritárias, uso racional de medicamentos e sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Ao apresentar a realidade brasileira, Waldir explicou o funcionamento do SUS, maior sistema público universal de saúde do mundo, responsável pelo atendimento de mais de 200 milhões de pessoas. Nesse contexto, ressaltou a importância da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), atualmente composta por centenas de opções terapêuticas e constantemente atualizada com base em análises científicas realizadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC).
A exposição também abordou os desafios da governança e do financiamento do sistema brasileiro, marcado pela atuação conjunta entre União, estados e municípios. Entre os principais pontos positivos, foram destacados a estrutura organizada, a base científica e a integração com políticas públicas. Já entre os desafios aparecem a judicialização da saúde, os altos custos das novas tecnologias, as desigualdades regionais e a necessidade de sustentabilidade financeira.
Ao final, a palestra reforçou uma reflexão central para os debates internacionais da saúde: definir medicamentos essenciais é apenas parte do desafio. O verdadeiro objetivo é garantir que esses medicamentos cheguem efetivamente à população que precisa deles.
