A Inteligência Artificial e os impactos da tecnologia na prática médica estiveram no centro dos debates da Assembleia Geral da CONFEMEL, realizada em Quito, no Equador, em maio de 2026. Em uma palestra marcada por reflexões éticas e projeções sobre o futuro da saúde, o presidente da entidade, Jorge Coronel, discutiu como a IA já está transformando a medicina e quais limites não podem ser ultrapassados.
Segundo Coronel, a Inteligência Artificial representa uma das maiores transformações da medicina contemporânea, especialmente em áreas como diagnóstico, telemedicina, gestão hospitalar, educação médica e monitoramento de pacientes. Ferramentas baseadas em IA já auxiliam na interpretação de exames, identificação de riscos clínicos, previsão de complicações e automatização de processos burocráticos, reduzindo a sobrecarga administrativa e permitindo mais tempo de atenção direta ao paciente.
Apesar dos avanços, Jorge Coronel reforçou que a tecnologia deve atuar como “inteligência aumentada”, funcionando como suporte ao julgamento clínico humano — e nunca como substituição do médico. “O médico conserva a decisão final”, afirmou.
O debate também trouxe alertas sobre riscos éticos relacionados ao uso indiscriminado da IA na saúde, incluindo opacidade dos algoritmos, vieses automatizados, reprodução de desigualdades sociais, dependência tecnológica e ameaças à confidencialidade dos dados dos pacientes.
Outro tema abordado foi o crescimento da telemedicina associada à IA, especialmente em regiões remotas. A tecnologia pode auxiliar em triagens inteligentes, acompanhamento remoto de pacientes crônicos, transcrição automática de consultas e apoio diagnóstico em tempo real.
Para Jorge Coronel, o grande desafio da transformação digital não é apenas tecnológico, mas ético, educacional e profissional.
Ao encerrar sua apresentação, Coronel deixou uma reflexão: “A melhor medicina do futuro não será aquela que irá substituir o médico por algoritmos, mas aquela que combinar inteligência artificial com inteligência humana a serviço do paciente.”
