A era digital trouxe inúmeras oportunidades de divulgação e interação para a categoria médica, mas também levantou novos desafios, especialmente o crescimento de perfis de ‘falsos especialistas’ nas redes sociais. Em resposta a esta questão que afeta diretamente a segurança do paciente e a credibilidade da profissão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou uma medida inovadora: o lançamento de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) para rastrear e identificar apresentações profissionais fraudulentas nas mídias digitais.
Conforme aponta o diretor de Tecnologia e Informação do Sinmed-MG , Igo Rian Almeida Barroso em seu artigo, esta tecnologia, que deve entrar em operação em outubro, é mais do que um avanço regulatório; é um convite à reflexão sobre a responsabilidade ética de cada médico na valorização da prática e dos títulos de especialista.
O artigo a seguir aprofunda a importância de uma postura transparente e em conformidade com as normas do CFM, destacando como a adequação da presença digital e o apoio do Sinmed-MG são essenciais para reafirmar o compromisso com a excelência técnica e ética da medicina brasileira. Acompanhe:
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Usar a foto que a Lillian te mandou esta semana do Dr. Igo.
Legenda: Diretor de Tecnologia e Informação do Sinmed-MG , Igo Rian Almeida Barroso
Entre muitas questões enfrentadas na medicina brasileira, um problema relativamente recente tem chamado atenção: o aumento de ‘falsos especialistas’ nas redes sociais. Em resposta, o Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou o lançamento de uma ferramenta de inteligência artificial (IA), que deve funcionar a partir do mês de outubro, capaz de identificar perfis que se apresentam de forma fraudulenta nos meios de comunicação. O uso desse dispositivo representa um avanço importante para a proteção da saúde dos brasileiros e nos convoca, enquanto médicos, a refletir sobre nossa responsabilidade na valorização da prática médica.
Se por um lado as redes sociais tornaram-se vitrines de divulgação do conhecimento e do trabalho médico, por outro lado, também se tornaram espaços onde lacunas na forma de apresentação podem gerar interpretações equivocadas pelo público leigo, ou até processos disciplinares pelo CFM, órgão sabidamente responsável por assegurar a qualidade técnica e ética da prática médica. Dessa forma, vejo como fundamental que sejamos protagonistas desse processo em que a valorização da medicina começa com a postura ética e transparente de quem veste o jaleco, inclusive no ambiente digital.
Nesse contexto, é essencial reafirmar o respeito à autonomia profissional de cada médico para exercer a medicina em suas diversas áreas de atuação, conforme a legislação vigente. Essa liberdade, entretanto, não se confunde com o título de especialista. Para que alguém seja reconhecido como tal, existem critérios objetivos, definidos pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira, como a conclusão de residência médica credenciada ou aprovação em prova de título pela respectiva sociedade de especialidade conforme o decreto n.º 8.516/2015. Tais requisitos protegem não apenas a credibilidade da categoria, mas, sobretudo, a segurança e a confiança da população que busca atendimento qualificado.
Adequação da presença digital
Para evitar surpresas, recomenda-se que todo médico revise o conteúdo da sua biografia e publicações, garantindo que estejam conforme a Resolução CFM n.º 2.336/2023 e demais normas do Conselho. Alguns pontos práticos:
- Título profissional: utilize apenas as especialidades reconhecidas e registradas no CFM/CRM. Se ainda estiver em residência, identifique-se como “médico residente em…” ou “médico em aperfeiçoamento em…”.
- Declarações de expertise: evite termos como “especialista em…” sem o devido registro. Prefira “atuo na área de…” ou “com experiência em…”, quando aplicável.
- Conteúdo educativo: priorize informações de caráter científico, deixando claro que publicações em redes sociais não substituem consulta médica.
- Publicidade responsável: jamais prometa resultados e tenha cuidado com as comparações.
Essas medidas não apenas protegem o profissional de sanções, como também fortalecem a confiança da população na medicina baseada em evidências e em princípios éticos.
Apoio do Sinmed-MG
Reconhecemos que, diante de notificações do CFM ou da necessidade de ajustar a comunicação, muitos colegas podem se sentir inseguros.
O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais está à disposição de seus filiados para oferecer assessoria de marketing médico – para adequação das redes sociais – além de suporte jurídico a todos que eventualmente recebam um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) ou necessitem de qualquer outra orientação.
A chegada dessa ferramenta de IA não deve ser vista como ameaça, mas como oportunidade de reafirmarmos nosso posicionamento e compromisso e com a boa prática médica. A valorização das nossas instituições e da nossa profissão pode e deve partir de nós: com ética, transparência e comunicação responsável.
