A Diretoria Regional de Saúde de Sorocaba (SP) informou que o número de médicos na região de Itapetininga (SP) é de menos de dois profissionais para cada 1 mil habitantes. Segundo o órgão, esse número é menor que a média do Estado de São Paulo, que é de quase três médicos para mesma quantidade de habilitantes.

habitantes (Foto: Reprodução/TV TEM)
De acordo com a Prefeitura de Itapetininga, o número de médicos no município atualmente é 102 profissionais, entre eles generalistas, ginecologistas, obstetras e médicos pediatras.
Segundo a diretora do Departamento de Avaliação Miriam Akiti Rodrigues, para tentar amenizar esse problema será implantado o projeto matriciamento. “Estamos estudando para trazer o programa matriciamento, que é a especificação de médicos das unidades básicas. O AME já usa esse recurso, então não há fila de espera para exames de nefrologia, por exemplo. No momento a contratação de médicos de concurso público está fora de cogitação. Primeiro, vamos inserir esse programa e ver se a situação melhora“, explica.

Transtornos
Moradores de Itapetininga reclamam que quando precisam de exames médicos a demora é grande e há dificuldades em marcar o retorno. O cabeleireiro Carlos Eduardo Medeiros, por exemplo, afirma que conseguiu pegar o resultado, mas não consegue médico para analisá-los. “E quando consigo médico ele não examina. Apenas entrega um encaminhamento e assim temos que esperar cerca de um, dois anos”, afirma.
Carlos tem diabetes e desde ano passado não consegue vaga no Posto de Saúde da Família no Jardim Fogaça. “Estou esperando até agora. Já aconteceu no ano passado do médico não me atender porque meu exame estava velho. Tive que refazer os exames. Ele pediu mais e até hoje nada. O que eles falam é para aguardar”, lamenta.
Clevérson Marcelo Mendes de Carvalho também frequenta o Posto do Jardim Fogaça, e precisa começar um tratamento de hérnia. Ele afirma que também não consegue marcar uma consulta. “A informação que me passaram é que tem mais de 50 pessoas na minha frente, e que estão marcando consultas para quem está esperando em julho do ano passado”, conta.
A dificuldade para conseguir médico e exames nos postos em Itapetininga é um problema antigo. A TV TEM mostrou esse problema em março de 2015. Em 2016, foi realizada a contratação emergencial de médicos, mas não foi suficiente para suprir a necessidade do município.

E o problema se repete em vários unidades de saúde da cidade. Josefina Monteiro precisa passar a cada três meses no AME para pegar remédios controlados. “O que eles falam é que não tem vaga, que só tem um médico atendendo. Tentei passar em janeiro e até agora nada. Eu preciso passar de três em três meses, mas isso demora cerca de seis a sete meses”, afirma.
O aposentado José Falche vai ao Posto da Vila Rio Branco e afirma que já faz cinco meses que precisa fazer um exame. Segundo ele, até agora nada. “Consegui marcar uma consulta para o próximo dia nove, mas para os exames que eu preciso não tem. Estou com problema na perna que só piora. Acho que vão esperar eu morrer para atender”, conta.
Fonte: G1