A vereadora Fátima Santiago, médica e vereadora em Maceió, participou do 1º Congresso da Mulher Médica da Federação Médica Brasileira trazendo uma reflexão sobre a trajetória histórica das mulheres na luta por direitos e pela participação política.
Em sua apresentação, ela resgatou marcos importantes do movimento feminino no mundo e no Brasil, destacando que a luta por igualdade de direitos tem raízes nas mobilizações de mulheres trabalhadoras que reivindicavam melhores condições de trabalho, salários justos e reconhecimento social.
Entre os momentos históricos lembrados está a mobilização de operárias que lutavam por melhores condições de trabalho no início do século XX, episódio que se tornou símbolo das lutas femininas e inspirou movimentos que culminaram no reconhecimento do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
A vereadora destacou que ao longo do século XX as mulheres passaram a conquistar direitos fundamentais, como o direito ao voto, resultado das mobilizações do movimento sufragista. No Brasil, essa conquista ocorreu durante o governo de Getúlio Vargas, quando as mulheres passaram a ter o direito de votar e também de serem votadas.
Ela também recordou o papel de mulheres pioneiras na história política brasileira, como Nísia Floresta, uma das primeiras defensoras do direito das mulheres no país, e Leolinda Daltro, que criou o Partido Republicano Feminino e organizou movimentos em defesa do sufrágio feminino. Outro exemplo citado foi o de Celina Guimarães, considerada a primeira mulher a votar oficialmente no Brasil, e de Alzira Soriano, primeira mulher eleita prefeita na América Latina.
Apesar desses avanços históricos, Fátima Santiago ressaltou que a presença feminina na política ainda é muito pequena quando comparada ao número de mulheres na sociedade. Segundo ela, mesmo representando a maioria do eleitorado, as mulheres continuam sendo minoria nos espaços de decisão.
Como exemplo, mencionou a baixa presença feminina nos parlamentos e nas câmaras legislativas, situação que se repete em diferentes estados e municípios brasileiros. Para a vereadora, essa desigualdade está relacionada a diversos fatores, como a dificuldade de acesso das mulheres às estruturas partidárias, a distribuição desigual de recursos de campanha e a violência política de gênero.
Durante a palestra, Fátima Santiago também compartilhou sua própria trajetória na medicina e na política. Natural de Angola e radicada no Brasil, contou que escolheu cursar medicina após chegar ao país e perceber as oportunidades de formação que encontrou aqui.
Ao longo da carreira, passou a atuar junto a mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente em comunidades periféricas, atendendo pacientes com doenças graves e sem acesso adequado aos serviços de saúde. Essa experiência, segundo ela, foi determinante para sua decisão de entrar na política.
A vereadora relatou que sua candidatura surgiu a partir do incentivo das próprias mulheres das comunidades onde atuava. Ao perceberem seu trabalho social e sua proximidade com a população, elas a incentivaram a disputar uma eleição para representar suas demandas no poder público.
Desde então, Fátima Santiago construiu uma trajetória política voltada especialmente para a defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade e para a ampliação de políticas sociais.
Ela também destacou que, apesar da criação de mecanismos como a reserva de 30% das candidaturas para mulheres nas eleições, a participação feminina ainda enfrenta obstáculos importantes, já que muitas vezes essas candidaturas não recebem recursos ou apoio político suficientes para competir em igualdade de condições.
Ao encerrar sua participação, a vereadora reforçou que a ampliação da presença feminina nos espaços de poder é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Segundo ela, as mulheres precisam ocupar cada vez mais esses espaços, pois somente com maior participação política será possível avançar na construção de políticas públicas que respondam às demandas femininas e garantam maior igualdade de direitos na sociedade.
