A Federação Médica Brasileira realizou, na manhã desta quinta-feira, 12 de março, a abertura oficial do 1º Congresso da Mulher Médica, na sede do Sindicato dos Médicos de Alagoas, em Maceió. O encontro reúne médicas de diversas regiões do país para discutir os desafios da mulher médica no mercado de trabalho.
Compuseram a mesa de abertura Fernando Mendonça, presidente da Federação Médica Brasileira; Edilma de Albuquerque Lins Barbosa, diretora da Mulher Médica da FMB e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas; Silvia Mara Gomes Melo, presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas e conselheira fiscal da FMB; Cláudia Beatriz Câmara de Andrade Silva, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco e diretora do Sindicato dos Médicos de Pernambuco; e Janice Painkow, diretora de Relações Institucionais e de Assuntos Legislativos da FMB e diretora financeira do Sindicato dos Médicos do Tocantins.
Ao abrir o encontro, Fernando Mendonça destacou o caráter histórico do congresso e agradeceu às dirigentes sindicais envolvidas na organização do evento, especialmente Edilma Barbosa e Silvia Melo. Também ressaltou o papel das mulheres na construção e fortalecimento da Federação Médica Brasileira ao longo de seus 10 anos de atuação e anunciou que o próximo congresso da mulher médica deverá ocorrer no Tocantins, com a proposta de consolidar o evento no calendário nacional da entidade.
Edilma Barbosa, anfitriã do encontro, deu as boas-vindas às participantes e destacou a importância da união entre sindicatos e conselhos para fortalecer a defesa da medicina e das médicas. Ela agradeceu a presença das lideranças, das estudantes de medicina e de todos que contribuíram para a realização do congresso.
Silvia Melo ressaltou o papel da liderança feminina no movimento sindical médico e reconheceu a trajetória de Edilma Barbosa na construção e no fortalecimento do Sindicato dos Médicos de Alagoas. Também destacou a importância de despertar nos estudantes de medicina o interesse pela representação sindical e pela defesa da profissão.
Cláudia Beatriz Câmara de Andrade Silva enfatizou que o encontro representa um símbolo de resistência das mulheres que construíram suas trajetórias na medicina quando ainda eram minoria na profissão. Segundo ela, apesar de as mulheres já representarem mais de metade dos médicos formados e cerca de 60% dos estudantes de medicina, os desafios permanecem e exigem redes de apoio, reconhecimento profissional e maior participação nos espaços de decisão.
Janice Painkow recordou os primeiros momentos da criação da Federação Médica Brasileira, ressaltando que a entidade nasceu de um movimento de resistência sindical que contou com forte participação feminina. Ela destacou o orgulho de ver a consolidação da FMB e a realização de um congresso dedicado às mulheres médicas.
Em seguida, foi iniciada a programação científica com a mesa-redonda sobre mercado de trabalho médico, que debate as transformações recentes da profissão e os impactos da precarização das relações de trabalho na vida das médicas.
Editorial de abertura
O 1º Congresso da Mulher Médica da Federação Médica Brasileira acontece em um momento histórico para a profissão. Pela primeira vez, as mulheres se tornaram maioria entre os médicos no Brasil. Estimativas apontam que a participação feminina poderá chegar a cerca de 56% até 2035, refletindo uma transformação profunda na composição da medicina brasileira.
A Federação Médica Brasileira, única entidade sindical médica federativa presente nas cinco regiões do país e formada por 25 sindicatos de base, tem buscado ampliar a participação feminina em sua estrutura. Em recente atualização estatutária, a entidade criou mecanismos para garantir maior presença de mulheres na representação sindical.
Embora o avanço numérico seja evidente, os desafios permanecem. Questões relacionadas ao mercado de trabalho, à valorização profissional, à proteção de direitos, ao enfrentamento da violência e à ampliação da presença feminina em espaços de decisão continuam exigindo reflexão e ação coletiva.
Outro ponto de atenção é a saúde mental das médicas. Em meio a jornadas múltiplas, sobrecarga e vínculos de trabalho muitas vezes precários, muitas profissionais acabam adiando o cuidado com a própria saúde.
Nesse contexto, o congresso se propõe a ser mais do que um espaço de debate. É um espaço de escuta, reconhecimento e compromisso com uma medicina mais justa, humana e compatível com a dignidade da mulher médica. A Federação Médica Brasileira reafirma, assim, seu compromisso de atuar para que as médicas tenham não apenas presença numérica, mas também voz, proteção, valorização e condições reais de permanência saudável na profissão.
