O avanço da doença no Brasil e no mundo exige ação imediata, equidade e fortalecimento do sistema de saúde
O Dia Mundial do Câncer – 4 de fevereiro, impõe uma reflexão urgente sobre um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde indicam que a incidência global de novos casos de câncer deve saltar de 20 milhões, em 2022, para 35,3 milhões em 2050 — um crescimento de 77%. Esse aumento será mais intenso em países de baixa e média renda, justamente os menos preparados para enfrentar a expansão da doença. Atualmente, o câncer já responde por cerca de 10 milhões de mortes anuais no mundo, com destaque para os cânceres de pulmão, mama e colorretal.
No Brasil, o cenário também é alarmante. O Instituto Nacional do Câncer estima aproximadamente 700 mil novos casos por ano no triênio 2023–2025. As projeções internacionais indicam que o país poderá ultrapassar 1,1 milhão de novos casos anuais até 2050, com crescimento expressivo da mortalidade. Trata-se de uma pressão sem precedentes sobre o Sistema Único de Saúde e sobre a capacidade de resposta do Estado brasileiro.
Especialistas são unânimes ao afirmar que o câncer deve ser tratado como uma doença crônica, que pode e deve ser controlada por meio de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado — e, em muitos casos, com possibilidade de cura. No entanto, as profundas desigualdades sociais, econômicas e regionais ainda determinam quem adoece mais, quem tem acesso ao cuidado oportuno e quem sobrevive, penalizando especialmente as populações mais vulneráveis.
Diante desse cenário, a Federação Médica Brasileira reafirma que o enfrentamento do câncer passa, necessariamente, pela valorização do trabalho médico, pelo fortalecimento da atenção primária, pela ampliação do acesso a exames e terapias modernas, pela regulação eficiente do sistema de saúde e por políticas públicas consistentes de prevenção. Fatores de risco evitáveis, como o tabagismo e o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, precisam ser enfrentados com ações intersetoriais contínuas e educação em saúde baseada em evidências.
Neste Dia Mundial do Câncer, a Federação Médica Brasileira conclama autoridades, profissionais de saúde e a sociedade a assumirem um compromisso imediato e coletivo. O avanço do câncer não pode ser tratado como uma estatística distante. Ele exige decisões responsáveis hoje, para proteger vidas, reduzir desigualdades e garantir o futuro da saúde no Brasil.
