Os dados já conhecidos são alarmantes: cerca de um terço dos estudantes de medicina não está adequadamente preparado para o exercício profissional, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira, 19 de janeiro, pelo Inep, baseado no resultado do Enamed. No entanto, o que mais preocupa a FMB é o ritmo lento das respostas institucionais diante de um problema que impacta diretamente a segurança da população.
Mesmo entre os 99 cursos que podem sofrer algum tipo de sanção, nenhuma medida efetiva será aplicada neste semestre, já que os processos seletivos foram realizados. As providências ficam postergadas para o próximo período letivo e, ainda assim, aproximadamente metade dessas instituições deverá receber apenas um voto de confiança, sem consequências concretas imediatas.
Esse cenário levanta uma questão central: quem está assistindo a população brasileira enquanto medidas estruturais são adiadas? A saúde não comporta espera, e a formação médica deficiente não pode ser tratada com complacência.
A Federação Médica Brasileira, junto às suas entidades sindicais de base, seguirá levando esse debate adiante de forma firme e responsável. Para a FMB, é inegociável o princípio de que não adianta ampliar vagas e cursos sem garantir qualidade na formação.
Quantidade sem qualidade coloca pacientes em risco. E a defesa da boa medicina é, antes de tudo, a defesa da vida.
