A Federação Médica Brasileira (FMB), entidade representativa da classe médica em âmbito nacional, dirige-se aos médicos, estudantes de medicina, autoridades públicas e à sociedade brasileira para manifestar sua posição institucional diante dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed 2025) e das evidências que eles revelam sobre o atual cenário da formação médica no país.
- A formação médica como compromisso com a sociedade
A formação médica garante um direito fundamental do ser humano: sua SAÚDE. Deve ser tratada com atenção e responsabilidade. Não como uma mercadoria onde o lucro é mais importante que as pessoas. Trata-se de atividade diretamente relacionada à vida, à dignidade humana e à segurança dos pacientes. Cada médico formado sem a adequada preparação técnica representa um risco coletivo, especialmente para o Sistema Único de Saúde (SUS), que absorve a maior parte dos profissionais recém-formados. - O que os dados do Enamed 2025 revelam
Os resultados do Enamed 2025, divulgados pelo Ministério da Educação, demonstram que aproximadamente um terço dos cursos de Medicina avaliados apresentou desempenho insatisfatório. Essa realidade confirma, com dados oficiais, uma preocupação histórica da classe médica: a expansão acelerada e desordenada de cursos de Medicina sem a correspondente garantia de qualidade. - Expansão sem qualidade: um risco público
A abertura indiscriminada de vagas e cursos, sobretudo em instituições municipais e privadas sem infraestrutura adequada, corpo docente qualificado e campos de prática suficientes, compromete a formação médica e fragiliza a confiança da população nos serviços de saúde. Quantidade não substitui qualidade. Formar médicos exige responsabilidade institucional e compromisso social. - Avaliar é necessário, corrigir é indispensável
A Federação Médica Brasileira reconhece o Enamed como um instrumento relevante de diagnóstico da formação médica. Sua expansão também para o quarto ano é uma boa iniciativa. Ideal também que o segundo ano fosse avaliado. No entanto, avaliações só cumprem seu papel quando produzem consequências concretas. É fundamental que resultados insatisfatórios estejam vinculados a medidas efetivas de supervisão, correção de falhas e responsabilização das instituições de ensino com agilidade. - Estudantes e pacientes não podem pagar essa conta
A Federação Médica Brasileira reafirma que estudantes não podem ser penalizados por falhas estruturais de cursos autorizados pelo próprio Estado. Tampouco a sociedade pode ser exposta aos riscos de uma formação deficiente. A responsabilidade é institucional e regulatória, não individual. As escolas médicas têm a obrigação de fornecer um ensino de qualidade que garanta aos estudantes um bom desempenho, seja no Enamed, ProfiMed ou qualquer outra avaliação que venha a ser instituída. Os pacientes têm o direito de serem bem atendidos por médicos bem formados. - Residência médica: pilar da formação segura
A residência médica permanece como o padrão-ouro da formação profissional. Expandir vagas na graduação sem ampliar, de forma proporcional, as vagas de residência aprofundará desigualdades, precarizará o mercado de trabalho médico e comprometerá a qualidade assistencial. - Chamado à sociedade e às autoridades
Diante desse cenário, a Federação Médica Brasileira conclama:
- As autoridades públicas, para que reforcem a regulação e a supervisão dos cursos de Medicina, incluindo, quando necessário, coragem para fechar escolas e diminuir a oferta de vagas em instituições desqualificadas;
- As instituições de ensino, para que assumam compromisso real com a qualidade da formação;
- Os coordenadores médicos dos cursos de Medicina, para que assumam de fato sua missão na organização, na supervisão ética e na segurança dos campos de estágio e internato com adequada supervisão dos estudantes e plena proteção aos pacientes;
- A sociedade brasileira, para que compreenda que defender a boa formação médica é defender o direito à saúde;
- A classe médica, para que permaneça vigilante e atuante na proteção da profissão e da assistência segura.
- Compromisso institucional da FMB
A Federação Médica Brasileira seguirá atuando de forma firme, técnica e responsável na defesa de uma formação médica de qualidade, socialmente comprometida e orientada pelo interesse público. A saúde da população brasileira exige médicos bem formados: isso não é negociável.
Brasil, 28 de janeiro de 2026
A Diretoria
