A Federação Médica Brasileira tem sido insistente e mantém vigilância permanente sobre a situação da remuneração dos médicos que atuam no programa Mais Médicos. A entidade acompanha de forma sistemática os encaminhamentos relacionados ao tema e, diante da ausência de respostas efetivas, encaminhou ofício ao Ministério da Saúde novamente no início de 2026 solicitando o reajuste da bolsa-formação.
Estudo técnico elaborado pelo DIEESE, a pedido do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (SINMED-MG), analisou a evolução do valor da bolsa-formação do programa Mais Médicos e demonstrou que, ao longo dos anos, não houve recomposição inflacionária adequada. Segundo o levantamento, a defasagem acumulada ultrapassa 40%, quando considerada a variação de índices oficiais como o INPC e o IPCA, evidenciando perda expressiva do poder de compra dos médicos vinculados ao programa.
Os dados confirmam que, mesmo diante do aumento do custo de vida e das responsabilidades inerentes à atuação na Atenção Primária à Saúde, o valor da bolsa permaneceu praticamente estagnado, impondo um cenário de desvalorização profissional. Essa realidade impacta diretamente médicos que atuam, majoritariamente, em regiões de maior vulnerabilidade social e com dificuldades estruturais.
Para a Federação Médica Brasileira, a manutenção dessa defasagem não se limita a um problema remuneratório. Trata-se de um fator que compromete a sustentabilidade do Programa Mais Médicos, a fixação de profissionais e, consequentemente, a continuidade e a qualidade da assistência prestada à população.
A Federação reafirma que seguirá atuando com firmeza institucional, diálogo técnico e vigilância ativa sobre os encaminhamentos do governo federal, defendendo a correção imediata da bolsa-formação, com base em dados objetivos e critérios econômicos claros, como medida necessária de valorização do trabalho médico e fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
