A Federação Médica Brasileira (FMB) manifesta grande preocupação com os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) divulgados na segunda-feira, 19 de janeiro, que escancaram uma realidade preocupante da formação médica no país.
Os dados mostram que quase 1 em cada 3 cursos de medicina avaliados obteve desempenho insatisfatório. Entre os estudantes concluintes, cerca de um terço não demonstrou proficiência mínima, o que significa que milhares de futuros médicos chegam ao mercado sem a qualificação adequada. Em números concretos: 99 dos 351 cursos avaliados poderão sofrer algum tipo de sanção, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O presidente da FMB, Fernando Mendonça, participou do evento de apresentação dos resultados e alertou que, embora mais de 60% dos estudantes tenham atingido a proficiência exigida, o fato de 1 em cada 3 não alcançar esse patamar é inaceitável. “Somos todos pacientes. A população brasileira merece ser atendida por médicos bem formados. Saber que uma parcela significativa pode não estar adequadamente qualificada é extremamente preocupante”, destacou.
Para a FMB, os resultados do Enamed expõem as consequências diretas da abertura desenfreada e desordenada de cursos de medicina no Brasil, especialmente em instituições sem estrutura adequada, corpo docente qualificado e campos de prática suficientes. O desempenho inferior concentra-se justamente em cursos municipais e privados com fins lucrativos, enquanto instituições federais e estaduais apresentaram os melhores resultados.
A Federação reconhece como um avanço histórico o fato de o governo federal, por meio do Ministério da Educação, admitir a possibilidade de fechamento de vagas e aplicação de sanções, como afirmou o ministro Camilo Santana. No entanto, reforça que a velocidade dessas medidas ainda é insuficiente diante da urgência que a saúde pública exige.
A FMB será firme e vigilante. A entidade acompanhará de perto todos os desdobramentos, cobrará rigor na supervisão dos cursos com desempenho insatisfatório e manterá vigilância permanente sobre as providências adotadas, inclusive quanto à suspensão de vagas e ao impedimento de novos ingressos.
“A formação médica não pode ser tratada como mercadoria. Qualidade na educação médica é uma questão de segurança do paciente e de respeito à população brasileira. A Federação Médica Brasileira seguirá atuando para que o Enamed não seja apenas um diagnóstico, mas o início de uma correção efetiva e responsável dos rumos do ensino médico no país”, encerra Fernando.
