A luta por mais leitos e melhores condições de trabalho na área da saúde é bandeira antiga do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). A realidade encontrada no dia a dia, no entanto, passa longe da ideal. Não por acaso, na tarde de sexta-feira, 21 de outubro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) chamou entrevista coletiva para informar sobre os resultados de investigação feita no Hospital Nossa Senhora da Conceição.
Realizada na sede da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (Aserghc), a coletiva contou com a presença dos procuradores do trabalho Ricardo Wagner Garcia e Carlos Carneiro Esteves Neto, que denunciaram as condições precárias de saúde e segurança dos trabalhadores.
“O volume de problemas é muito grande. É um hospital antigo, um hospital que cresceu desorganizadamente, um hospital que tem uma clientela muito grande e que tem problemas antigos, que se avolumaram no decorrer do tempo. Então, leva a uma situação muito grave de saúde e segurança que tem que ser atacada imediatamente”, afirma Garcia.
Problemas antigos identificados
Na oportunidade, o Simers aproveitou para questionar se houve a constatação de dois problemas diagnosticados pelo Sindicato repetidas vezes: o processo de contaminação por falta de equipamento de proteção individual (EPI) e de higiene e a sobrecarga de trabalho dos profissionais.
De acordo com Garcia, os dois casos foram encontrados. Para ele, há uma defasagem muito grande de pessoal, especialmente pela quantidade de pessoas que o hospital atende diariamente. Há, inclusive, pessoas alocadas em espaços inadequados, o que impossibilita até a higienização e aumenta o risco de contaminação.
Outros problemas identificados envolvem situações de, por exemplo, máquinas desprotegidas no setor de serralheria, falta de um plano de ergonomia, acidentes com perfuro-cortantes e equipamentos quebrados. “A gama é muito grande, a base é a falta de gestão”, define o procurador.
A partir de agora, após a notificação do Hospital Conceição e a criação de relatórios técnicos que indicam as providências necessárias, o próximo passo é encaminhar o material aos procuradores de Porto Alegre, que darão seguimento ao caso.
Fonte: Simers